Artigo técnico - CREA SP - Como Especificar uma cadeira operativa

 
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Artigo técnico - CREA SP - Como Especificar uma cadeira operativa


Por Osny TelLes Orselli

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AFINAL, COMO COMPRAR UMA CADEIRA OPERATIVA

Quando ela e ergonomica. Quando ela mecanicamente satisfaz. Mecanismos, pistoes, alturas, bracos, apoia bracos....

O velho chavão do barato sai caro é claro que também se aplica a este produto. Porem, já vimos postos de trabalho, com cadeiras muito sofisticadas, com muitas alavancas e acessórios, totalmente desnecessários. Neste caso, o caro sai caro.


Importante se ressaltar a necessária e indispensável ergonomia de conscientização ao se implantar um novo posto de trabalho. (Na empresa, no escritório ou em casa). Isto é, precisamos conscientizar o usuário da necessidade da boa postura, paradas freqüentes pelo menos de 3 a 4 segundos a cada 50 minutos quando se poderia fazer uma esticada ou alongamento; precisamos ensinar o trabalhador a como usar as alavancas e dispositivos de contato permanente, e sobre o risco de doenças que o mesmo pode ter, inclusive ficando incapacitado permanentemente.


Como a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego NR 17 é muito vaga, qualquer cadeirinha, hoje em dia, se apresenta como ergonômica. Além disso, uma cadeira ergonomicamente boa, não significa que ela seja construtivamente boa e vice versa.


Primeiramente, deve-se exigir do fornecedor um laudo que a mesma obedeça a Norma ABNT: NBR 13962 


Ela deve ter regulagem da altura do espaldar ou encosto suficiente para que a região lombar das costas seja devidamente apoiada. O espaldar deve abraçar a região lombar e, portanto, deve ter no mínimo 41 cm X 26 cm. Ideal 40 cm x 35 cm. O espaldar deve proporcionar pressão positiva na lombar. (O ideal é o contato permanente da lombar ou chamado “permanent contact”). Cuidado com a largura do espaldar e sua curvatura. Algumas cadeiras possuem curvatura muito acentuada que associada ao contato permanente não proporcionará conforto.


A altura do espaldar é uma questão de estética e de hierarquia. Quanto mais chefe, maior o espaldar. Ergonomicamente, grandes alturas de espaldar não significam nada, é zero.  Porem devemos nos lembrar da hierarquia para não gerar outros problemas, principalmente em grandes escritórios. (Como ele tem uma cadeira igual a minha se eu sou o chefe?). Nas boas cadeiras a regulagem da altura do espaldar já não é mais feita através das pouco elegantes, desgastantes e antiergonômicas rosetas que logo logo se desgastam: A regulagem se faz com dispositivos automáticos,  móveis, com até 11 "taps" que se movem com a ponta dos dedos.  


A regulagem da altura do assento deve ser multi ponto com amortecedor e pistão (a gás ou mecânico).


Prefiro a gás que acentuam o efeito amortecedor; mas atenção especifique classe 5 que duram duram e duram independente da marca, normalmente importados da Alemanha.


As espumas devem ser de poliuretano injetado para o assento e espaldar e devem ter garantia com testes comprovados de sua durabilidade de compressão e controle da densidade ponto a ponto. Apenas a espessura da espuma e densidade sem especificar em quais pontos não garantem este particular. O que se quer é uma força de reação ao nosso peso sobre as nossas nádegas o mais uniforme possível a fim de se evitar tensões. Espessuras de 40 mm para o assento, desde que obedeçam as regras acima, são ideais, pois asseguram boa flexibilidade, compressão e ótimo visual. Devem ser injetadas na forma final do assento, idem  espaldar;  nada de aceitar espuma injetada e que depois será recortada com faca. 


O assento deve ter dimensões para no mínimo sustentar confortavelmente as nádegas. O ideal é 46cm X 46 cm, sendo admissível 45 cm (largura) X 41 cm (profundidade). Para pessoas um pouquinho mais “fortes”, nem pensar na 45X41.


É bom lembrar que se anuncia por aí cadeiras tipo secretária que não suportam uma nádega nem de modelo super magra.


Apóia braços com (ideais) ou sem regulagem de altura, devem, literalmente, sustentar os ante braços, com largura e comprimento confortáveis. Largura de apóia braços deve ter, na parte maior, no mínimo 80 mm, para cadeiras operativas e comprimento ideal 250 mm. Atentar para a largura entre os apóia braços; para os mais fortes, regulagem da largura dos apóia braços, a fim de que os cotovelos e ante braços não fiquem fora da área de apoio. Parece óbvio mas a maioria dos apóia braços não apóia os ante braços!  Cuidado que há apóia braços iguais fabricados em termo plásticos ou em poliuretano integral skin. Os primeiros mais baratos são mais duros e menos macios do que os segundo. Os de poliuretano devem ser macios e bom acabamento um indício que o fabricante é bom na injeção.


Em se tratando de cadeiras industriais é necessário verificar quantas opções de altura do assento em relação ao piso podem ser combinadas, a fim de atender o estudo ergonômico que precede, pois o curso do pistão, normalmente, é de 100 mm ou 130 mm, apenas.


Bio tipo, medidas antropométricas e estudo do posto, como sua altura, deve ser levado em conta ao especificar a altura do assento em relação ao solo.


Ao se falar em diversas alturas do assento, estamos nos referindo a cadeiras de postos industriais ou de trabalho que exijam maior altura como caixas de supermercados. 


Não esquecer do apoio ou descansa para os pés, cuja altura deve ser proporcional ao “tamanho” do usuário. Os tradicionais aros das cadeiras tipo caixa são antiergonômicos, pois não deixam os pés “plantados”, deixam os pés para trás (que proporciona uma tendência das costas caírem para frente), além de dificultar a circulação pela compressão das coxas.   


Atentar para o revestimento. Há cadeiras no mercado cujo assento e espaldar são totalmente injetados em Poliuretano (PU) Integral Skin, que não mais necessitam tecidos sintéticos ou madeira. O PU resiste a agentes físicos ( vapor ) e químicos (hipoclorito de sódio e álcool isopropílico)  indispensáveis para ambientes limpos, como indústrias alimentícias e farmacêuticas; alem disso são ventilados e tem bons perfis anatômicos alem de serem macios e sepultam as antiecológicas e frágeis assentos de madeira compensada. 


Quando em tecido, o normal é 100 % poliéster ou 100 % lã (que ao contrário que possa se entender, não aquece). Ainda temos os revestimentos em PVC (Kourvin, Courino, etc). Todos devem ser cuidadosamente verificados, pois há 100 % poliéster com uma trama larga que logo se esgarça. A mais fina dura mais. PVC não significa nada, pois é necessário precisar a espessura (no mínimo 1,5 mm) e sua procedência. As costuras devem ser evitadas, pois acumulam poeira, e são pontos de rápido desgaste. 


Deve-se evitar que o revestimento seja fixado à sua estrutura por grampos que se oxidam rapidamente e que precisam dos velhos perfis de PVC flexíveis para escondê-los. Estes se polimerizam e racham facilmente. Hoje em dia o tecido é colocado por máquinas especiais que o puxam uniformemente e são fixados por um único grampo de plástico de engenharia.


Aquelas cadeiras, mesmo muito bonitas, que começam a balançar o assento e ou espaldar, não utilizam material (aço) compatível com o produto (espessura) e normalmente possuem mancais de apoio com buchas subdimensionadas em quantidade e qualidade.


As bases devem ser injetadas numa peça só, de preferência, pois aquelas com os bracinhos soldados, manualmente logo, logo, pela ação da fadiga da solda, se quebram ou ficam manquitolando com o desgaste de pelo menos uma solda. Hoje em dia pode-se ter bases injetadas em uma só peça em Nylon com fibra de vidro que podem ou não receber reforço de aço, quando se tratar de serviço super pesado. Quando se usa solda, deve ser dupla MIG por Robot e ensaiada por ultra som ou líquido penetrante.


Há dois tipos básicos de rodízios: Carpete e piso abrasivo ou duro. É necessário especificar. Devem ser de Nylon, pois os de plástico não duram nada, diâmetro mínimo 50 mm, duplos, largura de no mínimo 60 mm.


Notar que a base da cadeira deve suportar no mínimo 1000 Kg; É uma garantia adicional.


Já há cadeiras nacionais antiestáticas no mercado, mas é necessário pedir o laudo correspondente, pois as exigências de resistividade variam muito. Todos os rodízios devem ser antiestáticos, por motivo de segurança. Quem trabalha com componentes eletrônicos precisa de cadeiras anti estáticas.


Não se usa mais cetim e ou madeira com couro sintético para dar o acabamento embaixo do assento e atrás do encosto nem os feios e frágeis parafusos . Usa-se polipropileno injetado em uma só peça. Porem, é indispensável especificar que os mesmos sejam tratados contra raios UV, pois do contrário se ressecam, e racham, rapidamente.


A garantia deve ser de 5 anos. Quem garante mais de 5 anos, desconfie. Há fornecedores que garantem os pistões a gás até por 15 anos ou pela vida da cadeira, importados, classe 5. Quem dá a garantia é a fábrica do pistão.


Finalmente, quando especificar cadeiras com pranchetas pense em prevenção: Obrigue que elas sejam antipânico!  Nunca se sabe!


Cabe ao Setor de Saúde Ocupacional, ao Setor de Segurança do Trabalho, ao SESMT, ao Setor de RH, dependendo da estrutura organizacional da empresa especificar tecnicamente os produtos que poderão afetar, em muito, a saúde do trabalhador e o bolso do patrão ou acionista ou da entidade. Só “testar”, achar bonita e mandar para o Departamento de Compras escolher, não basta. Compras, terá sempre a obrigação de comprar o mais econômico, com raras exceções, caso não tenham especificações claras e precisas, pois essa é a função deles.


É bom lembrar que a maioria dos conselhos acima vale para cadeiras para treinamento, escolas, salas de espera, cadeiras fixas tipo longarinas de consultórios, auditórios e para hotéis, hospitais,  clínicas, caixas de supermercados apesar de achar que os caixas de supermercado não deveriam trabalhar sentados em cadeiras. Eles deveriam trabalhar em pé, usarem um banco que dê sustentação à coluna  não a maioria do tempo, usar um tapete anti fadiga e o muito usado nos EUA, cinto lombar. O resultado é muito bom. 


Agindo assim, estamos contribuindo para a saúde do trabalhador, diminuindo dores nas costas, ensinando bons hábitos e zelando pelo bolso de todos principalmente dos patrões. E não esqueçam de treinar os trabalhadores com uma boa dose de ergonomia de conscientização assim que as novas cadeiras ou qualquer outro produto ergonômico sejam implantadas. 



Osny Telles Orselli
Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho, Ergonomista
e mail  osny@mundoergonomia.com.br


Artigo publicado na revista do CREA SP em abril de 2004


Estamos desenvolvendo vários artigos técnicos em nosso site. Ampanhando nossos artigos, com certeza você entenderá e conseguirá especificar corretamente a sua CADEIRA IDEAL. Qualquer dúvida, estamos a disposição.

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Ivannesca André - 09/11/2012 13:14
Gostei muito das suas explanações a respeito das cadeiras ergonômicas. Todavia, gostaria de saber mais a respeito do assunto, pois estou elaborando PPRAs de facções cujas cadeiras são "ergonômicas", mas são de madeira e não possuem estofamento. Gostaria de saber se o uso deste tipo de cadeira é correto? Caso não seja, qual ítem da NR 17 posso utilizar como respaldo legal, pois a mesma só cita a necessidade do estofamento para TRABALHO EM TELEATENDIMENTO. Grato A NR 17 nao aborda detalhes de propósito. Cabe ao profissional estudas as situacoesm atividades, riscos, etc de maneira a promocional mais conforto, diminuir riscos de doenças ocupacionais, aumentar a produtividade e por ai vai. Cadeiras de Madeira desde que tenham tamanhos, contornos e principalmente o raio da borda grande para nao provocar problemas de circulação e desde que o ambiente (importante) indique que o material tenha que ser Madeira, ela passa a ser ergonômica. Há cadeiras de Madeira que o abrilhante fixa o assento e encosto com parafusos que causam desconforto as nádegas. Isso eh apenas um exemplo. Osny Telles Orselli
lourdes - 07/10/2012 15:57
lourdes.cn@hotmail.com
trabalho no caixa de supermercado,o chefe comprou cadeira mas as cadeiras são muito baixa estar dando muita dor nas costas jácomentamos com ele mas ele falou que elas são padrão é verdade? Ola Lourdes grato pelo e mail Check outs é uma de nossas especialidades através de produtos e adequação e treinamento obrigados por LEI FEDERAL. As cadeiras devem seguir tambem a LEI e altura e um sem número de detalhes são descritas na LEI. Esta LEI com comentarios V encontra em www.cmqv.org site que recomendo a leitura. É o nosso braço para serviços Abraços Osny Telles Orselli
JOSE CARLOS ANDRADE SILVA E SOUZA - 26/09/2012 15:13
Solicito a cotação deCADEIRA que atenda aos seguintes requisitos Apoio em 05 (cinco) pés, com rodízios cuja resistência evite deslocamentos involuntários e que não comprometam a estabilidade do assento. Assento Com características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento; Borda frontal arredondada; Superfícies onde ocorre contato corporal, estofada e revestidas de material que permita a perspiração; Base estofada com material de densidade entre 40 (quarenta) a 50 (cinqüenta) kg/m3; Encosto Ajustável em sentido ântero-posterior (para frente e para trás). Espaldar com regulagem de altura independente do assento, com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar. Apoio de braço O comprimento não deve interferir no movimento de aproximação da cadeira em relação à mesa, nem com os movimentos inerentes à execução da tarefa. OBS. O modelo do assento escolhido deverá ser testado antes de aprovado. A equipe de ergonomia poderá auxiliar no momento da escolha dos modelos, pois algumas variações nas dimensões podem ser aceitáveis.
José Carlos Andrade Silva e Souza - 26/09/2012 15:12
CADEIRA Apoio em 05 (cinco) pés, com rodízios cuja resistência evite deslocamentos involuntários e que não comprometam a estabilidade do assento. Assento Com características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento; Borda frontal arredondada; Superfícies onde ocorre contato corporal, estofada e revestidas de material que permita a perspiração; Base estofada com material de densidade entre 40 (quarenta) a 50 (cinqüenta) kg/m3; Encosto Ajustável em sentido ântero-posterior (para frente e para trás). Espaldar com regulagem de altura independente do assento, com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar. Apoio de braço O comprimento não deve interferir no movimento de aproximação da cadeira em relação à mesa, nem com os movimentos inerentes à execução da tarefa. OBS. O modelo do assento escolhido deverá ser testado antes de aprovado. A equipe de ergonomia poderá auxiliar no momento da escolha dos modelos, pois algumas variações nas dimensões podem ser aceitáveis.
ana - 30/06/2012 19:16
TENHO 1,60M E 55K. TENHO TENDINITE NOS BRAÇOS E PRECISO DE UMA BOA CADEIRA, COM BRAÇOS, RODÍZIOS, CONTATO LOMBAR E ACHO QUE DEVERIA TER UMA PRANCHETA TAMBÉM. ENFIM, LI TUDO POR AQUI E NÃO ENTENDI POR ONDE PEDIR E COMO. ALGUMA AJUDA DOS SENHORES? OBRIGADA, ANA


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