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Suporte Abdominal Lombar ou Cinto Intra Abdominal ou Cinto Abdominal ou Simplesmente cinto de Apoio Lombar


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SUPORTE ABDOMINAL LOMBAR OU CINTO INTRA ABDOMINAL OU CINTO ABDOMINAL OU SIMPLESMENTE CINTO DE APOIO LOMBAR
A Tendência Mais Recente na Luta Contra as Lesões de Coluna na Indústria

O cinto de apoio lombar, as tiras de limitação de estiramento da coluna (por exemplo, o Cinto de Apoio Dorsal de Barnett) e os inclinômetros à bateria (por exemplo, o Inclinômetro Back Alert ) são dispositivos cuja classificação mais adequada seria sob o título de equipamentos de proteção pessoal projetados para modificar o comportamento do trabalhador.
O modo básico de atuação dos inclinômetro e das tiras de restrição é representado pelo aviso que estes dispositivos dão ao trabalhador quando este flexiona o torso na zona de perigo ou de 70 graus (zona crítica), na qual é mínimo o apoio muscular ao torso e a pressão entre discos atinge o seu valor máximo.
O mecanismo através do qual os cintos de apoio lombar devem trabalhar tem provocado muita controvérsia. Nos últimos três anos, o Dr. Bunch participou de trabalhos de pesquisa clínica e de campo sobre os efeitos dos cintos de apoio dorsal na redução das lesões de coluna.

A bibliografia a seguir apresenta algumas informações científicas relativas aos cintos lombares:

Morris et al Role of the trunk in stability of the spine, J Bone Joint Surg 1961; 43:327-350 (O papel do tronco na estabilidade da coluna)
J Bone Joint Surg 1961; 43:327-350

Lander et al The effectiveness of weight-belts during the squat exercise
(A eficácia dos cintos para levantamento de pesos durante o exercício de agachamento),
Medicine and Science in Sports and Exercise 1990; 22:117-124

Harman et al Effects of a Belt on instra-abdominal pressure during weight lifting, Med. Sci, Sports and Exercise 1989:; 22:117-224
(Os efeitos do cinto sobre pressão intra-abdominal durante o levantamento de pesos), Med. Sci. Sports Exercise 1989; 21:186-190.

As informações dos estudos acima sugerem que o cinto para levantamento de pesos contribui para o suporte do tronco ao aumentar a pressão intra-abdominal. O efeito é considerado benéfico na redução das forças de compressão atuando sobre os discos intervertebrais e melhorando a segurança a ação de levantamento.

Terry Morris, Ph.D.
- Advanced Ergonomics, Inc. Estudo revisivo intitulado: "Effects of lifting belts on lifting capacity and overexertion injuries"
(Os efeitos de cintos de levantamento de peso sobre a capacidade de levantamento e as lesões causadas por excesso de esforço)

Dr. Morris apresenta uma revisão dos estudos relacionados com cintos dorsais e indica, que os estudos a longo prazo da utilidade dos cintos dorsais estão incompletos. Os benefícios a curto prazo do uso dos cintos são tão evidentes quanto virtualmente qualquer outro novo estímulo que possa aparecer no ambiente de trabalho. Com base em uma revisão de vários estudos, o autor relata uma redução média de cerca de 20% nas lesões relacionada com o emprego dos cintos dorsais. Os cintos parecem realmente capazes de fornecer apoio para as costas e aumentar a pressão abdominal. Não há redução da atividade de EMG na coluna lombar durante o uso dos cintos dorsais. Esse fato parece indicar que os cintos de apoio dorsal, pelo menos os cintos elásticos, aparentemente não provocam atrofia muscular. Além disso, as análises biomecânicas não indicam uma redução nas forças de compressão sobre os discos na coluna lombar em conseqüência do emprego de cintos para levantamento de peso.

Holmstron e Morris Effects of lumbar belts on trunk muscle strength and endurance
(Os efeitos dos cintos lombares sobre a força muscular e a resistência dos músculos do tronco): Um estudo de acompanhamento dos trabalhadores da construção, Journal of Spinal Disorders, 1992; 5:260-266

O estudo acima analisou os efeitos de um cinto de apoio lombar flexível com retenção a calor, ou cinto de levantamento de pesos, sobre a força muscular. O estudo não registrou nenhuma redução significativa na força e na resistência dos músculos do torso. Na verdade, houve um aumento na força e na resistência de flexão do torso. Esse aumento foi atribuído aos trabalhadores que mantinham sua coluna em uma posição mais reta e usavam mais as pernas.

Hunter et al The effects of a weight training belt on blood pressure during exercise" (Os efeitos do cinto para levantamento de peso sobre a pressão arterial durante o esforço), J. Appl. Sport Sci. Research, 1989.

Hunter et al relatam que os cintos aumentam a pressão sangüínea durante o esforço. Os trabalhadores com sistemas cardiovasculares comprometidos os usam com a devida cautela.

McGill et al Lifting with an abdominal belt: Effects on trunk muscle and intra-abdominal pressure" (Levantamento de peso com cinto abdominal: Efeitos sobre os músculos do torso e pressão intra-abdominal), Minutas da Conferência Anual da Associação de Fatores Humanos do Canadá 1990; 193-197.

McGill et al The effect of the abdominal belt on trunk muscle activity and intra-abdominal pressure during squat lifts (O efeito do cinto abdominal sobre a atividade muscular do tronco e a pressão intra-abdominal durante o levantamento de peso na posição agachada), Ergonomics 1990; 33:147-160

Seguin e McGill The effect of abdominal belts on passive stifness of the trunk about three axes" (O efeito dos cintos abdominais sobre a rigidez passiva do tronco em relação a três eixos), Associação de Fatores Humanos do Canadá - 25a. Conferência Anual, Hamilton, Ontário 1992: 67-72.
McGill sugere que existe um exagero a respeito das declarações que os cintos dorsais aumentam a pressão intra-abdominal (IAP) durante o esforço e que a justificativa para o uso dos cintos com base na IAP não está validada. O uso de cintos dorsais aumenta a pressão sangüínea durante o esforço. Os dados também indicam que os cintos parecem conferir maior rigidez ao tronco em relação ao movimento de torção axial e de dobramentos laterais, o que pode comprovar o relato dos trabalhadores sobre um aumento na estabilidade do torso. McGill adverte sobre uma falsa sensação de segurança a qual, segundo ele, freqüentemente é acompanhada do uso do cinto. Além disso, ele declara que a recomendação universal do uso dos cintos para o trabalhador industrial não estaria justificada com base nas informações atuais da literatura científica.

Woodhouse et al "Isokinetic trunk rotation parameters of athletes utilizing lumbar/sacral supports" (Parâmetros de rotação isocinética do tronco em atletas que utilizam suportes lombares/sacrais), Athletic Training, 1990; 3:240-243

O estudo acima sugere que os cintos ajudam a suportar as vísceras e aumentam a pressão intra-abdominal enquanto reduzem as forças de rotação.

Walsh et al "The influence of prophylatic orthoses on abdominal strength and low back injury in the workplace" (A influência das ortoses* profiláticas sobre a resistência abdominal e as lesões da coluna lombar no local de trabalho), American Journal of Physical Med. Rehab. 1990; 69-245-250.
(* Ortose: curvatura ou desvio da coluna - cifose, escoliose e lordose)
Este estudo constatou que o emprego intermitente de suporte profilático, não provocou efeito contrário algum sobre a resistência abdominal. O estudo também constatou que, o uso de suportes profiláticos e de treinamento revelou-se superior à intervenção educacional preventiva isoladamente. O estudo conclui que os cintos podem contribuir para uma redução nos prazos de afastamento do trabalho em decorrência de lesões profissionais.

Informes de Indústrias:

Home Depot
A Home Depot, uma cadeia de lojas de material de construções, tornou obrigatório o uso de cintos de apoio dorsal junto a seus funcionários, como parte de um programa detalhado de prevenção contra lesões de coluna que incluiu conhecimentos sobre ergonomia, treinamento e educação preventiva. Este estabelecimento, pode constatar uma redução significativa nas lesões de coluna e suas despesas conseqüentes desde que o programa foi iniciado.

Payless Cashways
A empresa Payless Cashways forneceu 563 cintos de apoio dorsal aos funcionários de suas 22 lojas. Durante um período de 5,5 meses constatou-se uma redução de 87% em lesões de coluna.

Resultados dos Estudos Conduzidos pelo Dr. Bunch:
Os dados a seguir devem ser considerados como informações preliminares cuja análise estatística ainda não se concluiu.

Foi realizada uma análise em mais de 450 funcionários da McDermott International de Morgan City, Los Angeles. As lesões de coluna foram reduzidas em mais de 89% em um período de três anos, a partir do início de um programa de educação/treinamento e fornecimento de cintos de apoio dorsal. Os funcionários responderam os questionários sobre o uso dos cintos de apoio dorsal. As respostas aos questionários, por funcionários que usaram os cintos por um período de um a dois anos, ainda encontram-se em fase de análise.

Análise preliminar das capacidades de vigor de levantamento percebida:

A análise de vigor de levantamento (n=86) antes da execução do mesmo com cintos de apoio dorsal e após o período de um ano de emprego desses cintos, não demonstrou nenhum aumento no vigor de levantamento, segundo teste no Lido Lift. O vigor funcional das abdominais, determinado pela quantidade de abdominais que o indivíduo era capaz de executar dentro do período de um minuto experimentou um aumento geral de 12,3%. Apenas 8 dos 86 indivíduos apresentaram um menor número de abdominais após o período de um ano, porém constatou-se que a diferença não era estatisticamente significativa (P = 0,05). O teste psicofísico de 45 indivíduos nas idades de 35 - 45 com os cintos dorsais e sem eles não foram capazes de demonstrar uma diferença estatística significativa na capacidade de levantamento percebida. A análise do levantamento repetitivo no Lido Lift revelou curvas de torque mais suaves porém mais constantes (menos o coeficiente de variação) entre os indivíduos que utilizavam os cintos de apoio dorsal.

Conformidade:

Inspeções aleatórias de campo revelaram um elevado nível de funcionários que não utilizavam os cintos de apoio dorsal corretamente. A falha mais comum relacionava-se com o aperto adequado dos cintos, isto é, os funcionários permitiam que o cinto permanecesse frouxo no abdômen. Os questionários de campo revelaram que a reclamação principal sobre o cinto era o fato de o mesmo ser considerado muito quente nos meses de verão. Houve casos em que funcionários indicaram que os cintos de apoio dorsal, haviam reduzido significativamente a dor em suas regiões lombares ao final do dia de trabalho. Entretanto, muitos declararam não ter experimentado absolutamente nenhuma alteração na freqüência das dores nas costas, sentidas durante o período de um ano de uso de cinto.

Conclusões sobre os Cintos de Apoio Dorsal

Com base em estudos anteriores, mais de três anos de observação de trabalhadores que utilizavam o cinto e nos resultados preliminares dos estudos atualmente em andamento, são as seguintes as conclusões oferecidas:

1. Os cintos de apoio dorsal não são necessários se o funcionário entende e aplica as técnicas de estabilização lombar durante o manuseio de materiais, mantém uma postura adequada no trabalho e preserva a sua boa condição física.

2. Os cintos de apoio dorsal por si só não reduzirão significativamente a incidência de lesões de coluna, a menos que utilizados adequadamente. O seu uso apropriado requer educação preventiva, treinamento de todos os empregados que devam empregar o cinto e o reforço da exigência pela gerência de cúpula.

3. Os cintos de apoio dorsal, devem ser usados como parte de um plano geral de segurança e prevenção contra lesões de coluna. Esse plano deve incluir a intervenção de natureza ergonômica, educação preventiva, treinamento, especialmente em relação ao conceito de estabilização lombar durante o manuseio de materiais e ginástica.

4. Não está provado cientificamente que o uso de cintos de apoio dorsal pode: 
- provocar atrofia muscular; 
- aumentar o risco de problemas cardiovasculares; 
- provocar um aumento da incidência de hérnia inguinal e/ou de hiato; 
- provocar uma falsa sensação de segurança ou impressão de que o indivíduo é capaz de levantar mais peso usando o cinto; provocar dependência de uso.

5. Está provado cientificamente que o uso de cintos de apoio dorsal: 
- podem atuar como lembretes psicofísicos do levantamento adequado e da posição correta das costas durante o esforço;
- os cintos de apoio dorsal, quando apertados e usados adequadamente, atuarão como um ligamento externo, impondo resistência contra a flexão excessiva da espinha além do ponto crítico de 70 graus;
- os suportes de apoio dorsal, podem ser usados de modo tal que lembrem ao trabalhador que este deve empregar as técnicas de estabilização durante a manipulação de materiais;
- O aumento da IAP e a estabilidade do torso permite que o trabalhador realize o esforço de levantamento com menor tensão sobre os discos e as juntas de faceta;
- o emprego de cintos dorsais aliado à educação preventiva/treinamento teve como resultado, pelo menos a prazo relativamente curto (5 meses - 3 anos), em reduções significativas da quantidade de lesões de coluna e das despesas médicas entre as indústrias que utilizam mão de obra intensivamente até a presente data.

Comentários Finais

O cinto de apoio dorsal pode representar uma grande despesa para as empresas com uma grande quantidade de funcionários. Os benefícios desses cintos em termos de sua possível contribuição positiva para a modificação do comportamento e para os efeitos fisiológicos sobre o corpo durante a ação de levantamento e outros tipos de esforços no manuseio de materiais deve ser analisado cuidadosamente. Não posso recomendar os cintos dorsais para qualquer indústria a menos que a mesma integre esses dispositivos em um plano geral de ergonomia e de treinamento, conforme foi analisado neste seminário. Por outro lado, com base em minha experiência, não acredito que a indústria esteja correndo graves riscos ao fornecer cintos dorsais a seus funcionários se estes receberem um treinamento adequado antes de seu uso. Praticamente não existe nenhum relato de pesquisa ou de teste nas indústrias, da qual tenhamos conhecimento, que demonstre algum efeito negativo válido relacionado com o uso dos cintos dorsais elásticos.

Traduzido do original inglês por Osny T Orselli 



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